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(para aqueles que precisam de alguma coisa)

É sempre com olhares. Festividade combina com poucas pessoas, e eu não sou uma delas. Angústia é uma bela palavra, não? A angústia da angústia fica contida no acento agudo. É o ponto que une toda a palavra, é o que faz dela una. Também a minha própria angústia me unifica. Um nó preciso, delicado e bem apertado. É mais uma daquelas noites onde estou completamente sóbrio, mas as paredes parecem derreter ao meu redor. As pessoas falando na rua tornam-se borrões sinestésicos de sussurros. A luz está cambaleante, e eu sei que é tudo uma ilusão. Quando dou por mim estou diante de um ritual. Um jovem, com olhar fixo no nada, faz o tambor reverberar com força, as dançarinas gritam e intensificam seus passos, um homem mais velho troca olhares com uma moça, algo está no ar. Está suspenso e eu tento capturá-lo com minha mão. Sinto uma pequena pitanga, como que eu não tinha visto? Eu estava há horas olhando a árvore, só para poder desviar o olhar. Está naquela hora da noite onde eu não consigo mais sorrir, não por mau humor, mas porque meus músculos desistiram, eu começo a desistir também. E quando eu faço isso eu retiro os olhos da árvore e vejo você, e você estava olhando para mim, e eu fico apavorado.

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