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(para aqueles que não desistem)

A crua intensidade do tempo fugidio me obriga a ser independente do que penso que sou. Somos ecos constantes de ditos antigos que reverberam e eclodem no terreno superficial. A pele é a camada mais fina e superficial desse encadeado significativo: a flor da pele é o meu coração. É por isso que somos todo sentimento, não só o coração, mas também o corpo. Ele é esse nó de carne e assobio: resta apenas um buraquinho que onde se sobressai, e é aí que somos nós. Um pequeno nó se encadeia no outro numa trama imprevisível e, quem diria?, sempre romântica. Romântica porque escapa, algo foge. Tem forma de geleia, nunca fica igual, e isso é engraçado, não? Passamos dias, semanas e até anos pensando que somos o que somos, é nesse trabalho diário que advém um tipo de convencimento muito específico, e de certa forma útil, que nos informa que somos seres mais ou menos coerentes, não só intelectualmente, mas também de constância corporal, uma unidade segura de silogismos físicos e metafísicos, porém não é tão clandestino chegar à conclusão que nada disso que é, é. Acho que somos muito mais onda: por isso a olhada pro mar é tão fascinante. Um interminável movimento de quebra e reconstituição que sempre vem de fora, e que de alguma forma permanece igual… é um pensamento reconfortante. Estar sentado numa pedra escura e úmida, tarde da noite, e pensar longamente sobre o nada olhando pras ondas: isso.

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