céu, contos e relatos, orações

(para aqueles que fecham um ciclo) ou a sagração do inverno

Ontem foi um exercício de loucura. Um imaginar de realidade, regra das exceções, samba dos estrangeiros. Teve momentos onde eu flutuava, noutros eu estavam com os pés duramente no chão. A vida tem dessas onde a gente se lembra que vive, é como quando não conseguimos respirar pelo nariz, ou sentimos um músculo novo, traçamos uma nova rota sem saber a chegada, caímos sem sentir vergonha. É disso que vive o apaixonado, esse ser insalubre e embargado. E ontem a ideia se tornou real, um chão bateu na cara, eu tropecei no céu. Me lembrou da vez que vi as estrelas pela primeira vez e voei no meio dos flamingos, congelei nos andes e ressuscitei no mar. Minhas roupas rasgaram, os flagelos ficaram expostos e brilhei numa luz negra, mas que ainda é luz. O universo é feito dessa energia, sou uma flutuação microscópica de pequenos fragmentos e, estando ligado a todos os cantos do cosmos, encontrei-me com você num abraço que pareceu durar quatro horas, um beijo que demorou alguns meses, uma marca que ficará por tempo indeterminado. Senti um sabor inédito, reconfigurei-me, chorei aquele caroço engasgado. Quando vi você nas luzes tive a certeza que também queria estar ali, que você buscava algo que eu também procurava, que essa vida é uma loucura que merece as respostas que buscamos. Que seja o templo e o espírito, que seja o universo infinito, que seja o amor resvalando pela rua. Você é um mistério e não sei os teus caminhos, e isso me obriga a inventar novas orações que, respeitosamente, dirijo aos deuses do amor. Num lampejo de graça eles tocaram meu coração. O universo é energia, ela não tem tempo, ela apenas existe, e em algum lugar do cosmos nossos corpos unidos ainda estão impressos nessa trama louca, sem sentido e interminável. Foi numa noite sem vento que eu percebi algo novo e somente uma ventania poderia trazê-lo até mim. Às vezes, então, o que a gente acha que é, é.

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